Domingo 19 Agosto 2018

HIstórico

 

Meu saudoso pai foi um armeiro de coração e por intuição. Embora não tenha tido nenhuma instrução, buscou sempre na intuição e na vontade, o seu sonho de construir armas e ferramentas.

Hoje, ainda imagino aquela figura mascando fumo e malhando ferro quente para dar formas desejadas ao artefato.

Muitas vezes eu o ajudava a manter o fogo na forja enquanto as faíscas do carvão me queimavam e me irritavam muito.

Outra lembrança era ouvir de modo que não me agradava, o batido desnecessário do martelo na bigorna. Eram três marteladas no ferro quente e duas na bigorna. Eu não entendia que aquilo se tratava de uma cadência do processo de malhação.

Diante disso tudo, naquela época eu tinha meus 16 anos e só queria distâncias daquele trabalho que não me despertava o menor interesse.

Passaram-se os anos, me formei na área de tecnologia da informação com especialização em redes e mestrado em Gestão do Conhecimento em Tecnologia da Informação. Com esta formação realizei muitos sonhos profissionais e pessoais. O que também, deu-me base para formar a minha maravilhosa família de três filhos e esposa.

Nos anos 90, comecei a preocupar-me com a aposentadoria. Tenho em mente, não mais trabalhar e sim viver e curtir o terceiro e último terço da vida fazendo algo diferente como viajar de moto e construir artefatos medievais complementando minha coleção.

Assim sendo, decidi tirar minha habilitação de motociclista e comprar uma moto estilo estradeira e com aspecto anos sessenta, para realizar o meu sonho de fazer parte de um moto clube. Destarte, estou participando do Blues Moto Clube de Brasília, onde fui influenciado por um grande Irmão Amigo e artista, Chico Bresolin, que constrói escudos e armaduras medievais entre outros.

Daí em diante, resgatei na memória os ensinamentos de meu pai que eu havia ignorado, e passei a construir também artefatos medievais.

Hoje conto com a ajuda e orientações técnicas de alguns amigos, e também com o apoio e observações da minha esposa e filhos.